sexta-feira, 6 de julho de 2018

O COMETA DO ROCK



Apesar do surgimento do rock ser um pouco obscuro, se sabe com certeza quem foi o primeiro grande roqueiro. O estilo já existia pontualmente nos EUA ainda se confundindo com o rhythm and blues e o boogie woogie de outros cantores e grupos, acrescentando-se uma pitadinha de gospel e country o estilo começou a ficar irresistível. O primeiro cara a sacar que era uma boa ideia juntar essas músicas que apareciam pontualmente no trabalho de outros cantores foi Willian John Clifton Haley, mas que entrou para a história pelo seu apelido…


Bill Haley nasceu em Highland Park no estado de Michigan em 6 de julho de 1925 mas cresceu na Pensilvânia. Filho de um mandolinista e de uma pianista clássica e cego do olho esquerdo, começou ainda jovem a tocar guitarra e cantar yodels em várias bandas, mas se dedicou principalmente ao estilo country formando um grupo chamado Down Homers em 1946, mas pouco tempo depois ele começou uma modesta carreira solo como cantor e DJ country itinerante. Lançou alguns discos compactos mas nada do sucesso chegar.


As coisas começaram a mudar quando ele decidiu formar um novo grupo chamado The Saddlemen em 1951 tocando o estilo que o DJ e radialista Alan Freed acabara de chamar de rock and roll e que começava a ficar popular. As duas primeiras músicas foram Rocket 88 de Ike Turner e Rock the joint de James Bracken (naquela época os discos tinham uma música de cada lado).

O DJ Alan Freed

Começamos como um grupo de country-western. Decidimos tentar um novo estilo, usando principalmente instrumentos de corda para obter com eles o mesmo efeito dos metais e dos saxofones. Era uma coisa nova e diferente e, embora ninguém soubesse, já tocávamos rock n’ roll”

Bill Haley (1975)

Com o relativo sucesso deste compacto Bill resolve, no ano seguinte, mudar o nome da banda para Bill Haley & His Comets, aproveitando a semelhança de seu sobrenome com o do astrônomo Edmond Halley, descobridor do famoso cometa de Halley, criando um efeito mais impactante para o público. Sua primeira composição a entrar nas paradas de sucesso foi Crazy man crazy em 1952.


Em 1954 Bill gravou uma versão da música Shake, rattle and roll de Big Joe Turner vendendo milhões de cópias nos EUA, mas o sucesso mundial veio com a música Rock around the clock composta por Max Freedman e Jimmy De Knight em 1952, porém Bill só a gravou em 1954 como lado B do compacto e ela não obteve sucesso. Porém ouve uma reviravolta no ano seguinte com o lançamento do filme Blackboard Jungle (Sementes da violência), Rock around the clock era a música de abertura e o público simplesmente enlouqueceu com a música e o disco passou a vender milhões.


A música ficou no topo das paradas da Billboard por oito semanas, sendo o primeiro rock a chegar ao topo e ficando conhecida no mundo todo e sendo regravada em vários países (no Brasil a primeira foi Nora Ney).


Um outro grande sucesso de Bill Haley foi See you later alligator de Bobby Charles, que Bill gravou em 1956 popularizando essa expressão na língua inglesa até os dias de hoje (Te vejo depois jacaré). Neste mesmo ano foi feito um filme musical também intitulado Rock around the clock com Bill e vários outros artistas famosos na época.


Bill Haley continuou gravando e se apresentando nas décadas seguintes mas acabou sendo ofuscado ainda na década de cinquenta por um roqueiro com uma voz mais marcante, uma melhor aparência e um jeito mais rock de dançar enquanto cantava. Não dava pra competir com Elvis Presley, o Rei do Rock, que não morreu (leia sobre esta lenda >AQUI<), porém sem o trabalho de Bill na divulgação do rock n’ roll é mais provável que Elvis tivesse se tornado o Rei do Country, que estava mais em moda entre o público branco no começo da década.


Ele se casou três vezes, em 1946, 1952 e em 1963. Teve dez filhos e três se dedicaram à música, sendo seu segundo mais velho o que mais se destacou, conhecido como Bill Haley Jr. montou uma banda chamada Bill Haley and the Satellites com algum sucesso e um projeto em tributo ao pai chamado Bill Haley Jr. and the Comets, tocando os sucessos antigos.

Sua fama diminuiu mas ele nunca chegou a ser esquecido, era aclamado e atraia público onde se apresentava em qualquer parte do mundo. Esteve no Brasil em 1958 no auge da fama e em 1975 ainda atraindo público. Sua última turnê foi na África do Sul em 1980, após a qual ele faria outra na Alemanha, porém foi divulgado que ele havia sido diagnosticado com um tumor cerebral, de modo que esta última foi cancelada. No ano seguinte (9 de fevereiro) ele acabou morrendo em sua casa no Texas aos 55 anos de idade e seu corpo foi cremado.

Bill Haley em 1979

Na época se acreditou que ele havia morrido por causa do pretenso tumor, mas seu melhor amigo, sua mulher e sua filha mais nova, que ainda morava com ele, descrevem os últimos momentos de Bill Haley de maneira mais triste. Ele sofreu por muitos anos de alcoolismo e no último ano sua saúde estava completamente comprometida, principalmente sua sanidade mental. Já não reconhecia as pessoas direito, ficava enclausurado em um quarto, fazia ligações telefônicas para conhecidos falando coisas sem sentido, comia pouco e mesmo não bebendo apresentava comportamento de embriaguez. Chegou a ser hospitalizado e diagnosticado com um problema de alta produção de adrenalina no cérebro para o qual foi receitado um medicamento. Logo que chegou em casa tomou o remédio e teve uma melhora, porém começou a piorar até o momento de sua morte. Hoje acredita-se que tenha tido um derrame.

A certidão de óbito de Haley listou:

Causa imediata: Causas naturais: ataque cardíaco mais provável
Devido a: ____________________________________________
Como consequência de: ________________________________

Ainda em 1980 Bill se dedicava a uma autobiografia que não chegou a ser terminada e nunca foi publicada. Em 1982 foi lançada um biografia escrita por John Swenson (Bill Haley: The daddy of rock and roll). Em 1990 o filho mais velho de Bill, John W. Haley, lançou uma biografia falando mais sobre o começo e auge da carreira do pai (Sound and glory). Em 2005 foi lançado um livro falando sobre os maiores sucessos de Bill Haley (Rock around the clock: The record that started rock revolucion) escrito por Jim Dowson. Em 2016 foi lançada outra biografia (Bill Haley the father of rock n’ roll – The rise of Bill Haley and rock n’ roll) escrita por Otto Fuchs.


Em 1982 a música Rock around the clock foi incluída no Grammy Hall of Fame. Em 1987 Bill foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame e em 2017 no Rhythm an Blues Hall of Fame.


Talvez a maior homenagem para o cometa do rock tenha vindo em 2006, a União Astronômica Internacional eternizou o pai do rock n’ roll batizando um asteroide com o nome Bill Haley.





quinta-feira, 5 de julho de 2018

DICIONÁRIO MUSICAL - APSARÁS


São entidades mitológicas femininas no hinduísmo e no budismo. Seu nome em sânscrito significa "Movendo-se na Água".

As apsarás são descritas como ninfas dançarinas e musicais, graciosas e belas, assemelhando-se com as musas gregas podendo mudar de forma ou se apresentar como uma névoa. Guiam os espíritos dos guerreiros mortos em combate como as valquírias da mitologia germânica. Aparecem servindo, cantando e dançando na corte celestial do deus Indra semelhantes aos anjos no cristianismo.


Por outro lado podem ser responsáveis pela loucura, o engano e até a morte.



quarta-feira, 4 de julho de 2018

DICIONÁRIO MUSICAL - APPOGGIATURA


É a forma original italiana para o termo APOGIATURA.

Veja o verbete >AQUI<


DICIONÁRIO MUSICAL - APPASSIONATO


Termo de expressividade musical de origem italiana que designa uma interpretação (forma de tocar a música) feita de maneira apaixonada, ardorosa, fortemente sentimental.

O termo pode aparecer acompanhando o tipo de andamento (Presto appassionato, Largo appassionato...) ou em algum trecho da partitura para indicar uma mudança ou ênfase na expressividade.



domingo, 1 de julho de 2018

DICIONÁRIO MUSICAL - APÓTOMO


Termo de origem no grego (apotomos = dividido) e se refere a divisão de um tom, é o nome dado ao semitom cromático, o meio tom.

É um termo muito usado na teoria musical de Pitágoras. Também pode ser chamado de Apotome.



sábado, 30 de junho de 2018

VERBORRAGIAS - MÚSICA E FRASES DE BONO VOX



Sabe aquelas frases polêmicas, engraçadas, geniais ou até mesmo estúpidas ditas por celebridades da música?


BONO VOX 
(Vocalista do U2)


“Como estrela do rock, eu tenho dois instintos: quero divertir-me, e quero mudar o mundo e tenho realmente a oportunidade de fazer ambas as coisas” 

“A guerra é a escolha daqueles que não vão lutar” 

“A música é que é especial, não os músicos. A gente tem que deixar isso claro para nós mesmos e para o nosso público” 

“A música pode mudar o mundo porque pode mudar as pessoas” 

“A sociedade precisa de heróis, a mídia quer criá-los. Mas se eu aceitar ser um, vocês me destruirão” 

“Amar ao próximo não é um conselho, é um mandamento.
Será que você pode dizer: Aquilo que está acontecendo de fato não me importa? Você não pode dizer isso se for um cristão. Você não pode!” 

“Amor verdadeiro não pode ser alugado, mas só o amor verdadeiro pode manter a inocente a beleza” 

“Arte é manipulação, use sua imaginação” 

“Deus é amor e o amor é o melhor dia da evolução” 

“Elvis Presley é o Big Bang do rock and roll, o começo de tudo” 

“Estar unido é uma grande coisa. Respeitar as diferenças é ainda maior” 

“Estou com ciúmes porque os comediantes tomaram o antigo papel dos roqueiros: dizem as coisas que ninguém dizia” 

“Eu poderia subir no palco, abrir o zíper da minha calça e colocar meu pinto pra fora que as pessoas iriam achar que isso seria algum tipo de protesto” 

“Livros! Não sei se alguma vez lhes disse isto, mas os livros são o melhor presente que uma pessoa pode dar a outra” 

“Nós não devemos ser responsáveis, nós devemos ser irresponsáveis (artisticamente falando)... O rock n’ roll deve ser irresponsável” 

“O U2 nunca foi bobo nos negócios. Não ficamos o dia inteiro sentados pensando em paz mundial” 

“O único problema que Deus não pode resolver é aquele que você tenta esconder” 

“Os meus heróis são aqueles que sobreviveram ao fazer algo errado, que cometeram erros, mas que conseguiram ultrapassá-los e corrigi-los” 

“Quando olho para nossos primeiros dez anos, só vejo uma lista de fracassos” 

“Quando você não está escrevendo músicas há duas coisas que você não quer escrever: política e religião. Mas a gente acaba escrevendo sobre os dois” 

“Quando você tem 16 anos, acha que pode mudar o mundo. E às vezes você pode” 

“Quer fazer a diferença? Então pare de pedir a Deus que abençoe o que está fazendo e se envolva naquilo que Ele está fazendo” 

“Se você quiser salvar uma era, traia-a. Exponha seus conceitos, suas manias e suas falsas certezas morais” 

“Ser uma celebridade é ridículo, mas é uma moeda que eu quero usar bem” 

“Simplicidade. Isso é o que eu tenho em mente no momento. Antigamente, eu costumava pensar que poderia fazer qualquer coisa, e eu queria fazer tudo: escrever um livro, fazer um filme, estar numa banda, ter uma família, escovar os dentes três vezes ao dia... Agora, eu só quero é paz” 

“Sou um 'escrivinhador', fumador de charutos, bebedor de vinho, leitor da Bíblia” 

“Toda geração tem a chance de mudar o mundo” 

“Vamos deixar de levar o homem á lua e trazer a humanidade de volta á terra” 

“Vi uma pixação escrita num muro: 'Deus está morto' (Nietzsche). Escrevi abaixo: 'Nietzsche está morto' (Deus)”





quinta-feira, 28 de junho de 2018

DICIONÁRIO MUSICAL - APOLO


Um dos principais deuses da mitologia grega (Ἀπόλλων = Apóllōn, ou Ἀπέλλων = Apellōn), filho de Zeus e Leto, irmão gêmeo de Ártemis.


Era o líder das musas, portanto a música era um de seus atributos, era um inspirador e patrono dos músicos. É assim que ele aparece na Ilíada, tocando sua lira para os deuses. Em alguns textos ele aparece como o inventor da lira e da flauta, embora alguns atribuam isto ao deus Hermes, seu irmão. Através da música era considerado o deus da verdade e da razão por causa da harmonia musical, e também da beleza e da simetria, por outro lado regia a loucura e o erotismo ligados a música. Teria ensinado as artes musicais para a humanidade.


Era representado como um jovem nu, com um manto sobre os ombros, levando um arco ou uma lira, seguido de uma serpente, um corvo ou um grifo.


Não se sabe ao certo a origem do nome de Apolo e a pronúncia podia variar de um lugar para outro: Apollon ou Apellon entre os gregos; Apollo entre os romanos; Apulu ou Aplu entre os etruscos, mas em outras línguas nem se quer existiu o nome deste deus.


DICIONÁRIO MUSICAL - APOGIATURA


Palavra de origem italiana (appoggiatura = sustentação) e diz respeito a um ornamento musical que consiste em uma ou duas notas curtas acrescentadas ao corpo de uma nota principal, retirando o valor do fim da nota anterior ou da nota a qual estão ligadas. Este valor varia muito de acordo com o tipo de apogiatura e o período em que a música foi composta e/ou executada, mas costuma ser o menor possível dependendo principalmente da técnica do músico.

O intervalo máximo que estas notas estão da principal é de um semitom, caso essa distância seja maior o ornamento passa a ser chamado de Floreio.

Apogiatura colocada após a nota principal

A apogiatura é representada por um ou mais pequenos signos (normalmente colcheias ou semicolcheias) podendo ser unidos à nota por uma ligadura e pode ser de dois tipos; simples ou dupla.

A Apogiatura Simples com apenas uma nota ligada a principal se sub-divide em dois tipos;

- Apogiatura Simples Breve - nesta o signo é cortado por um traço e deve ser executada o mais rápido possível. Também recebe o nome de Acicatura;

Apogiatura Simple Breve

- Apogiatura Simples Longa - nesta se deve executar o valor que está escrito (normalmente a metade do valor da nota principal);

Apogiatura Simples Longa

A Apogiatura Dupla tem duas notas ligadas a principal e é representada por semicolcheias, embora elas não representem necessariamente a velocidade de execução, o costume é executá-las o mais rápido possível.

Apogiatura Dupla


Também pode ser chamada de Appoggiatura ou Apojatura.


domingo, 24 de junho de 2018

DICIONÁRIO MUSICAL - APOIAR


Em se falando de execução musical significa acentuar uma nota ou  parte dela, dar relevo. Pode ser tanto o volume ou a duração da nota.


segunda-feira, 18 de junho de 2018

INSTRUMENTOS MUSICAIS - APITO



É um instrumento de sopro bastante simples, que produz de maneira geral um som agudo e monotônico, embora existam apitos que produzam mais de um tom simultaneamente.

Apito trisom (três notas simultâneas)

É feito de diversos materiais, primitivamente era de madeira, mas existem também apitos de metal, plástico e cerâmica, todos com timbres muito variados.


É composto de uma entrada de ar (bocal), uma aresta para criar a vibração do ar e uma caixa de ressonância para conter o ar e amplificá-lo. Esta última parte pode conter aberturas para manipular o volume, o timbre e a afinação do instrumento e também partes móveis ou soltas para interferir no som fundamental.


Apito de êmbolo ou flauta de êmbolo

Como é um instrumento bastante limitado melodicamente é utilizado na música para criar pequenos momentos sonoros, como os apitos que imitam o canto dos pássaros (pios), para marcar o ritmo, como nas bandas marciais ou comandar os músicos marcando divisões de seções e troca de instrumentos, como nas escolas de samba.

Há um tipo de instrumento com características muito semelhantes ao apito mas que muitos consideram um instrumento a parte por ter partes e funcionamento diferente dos apitos tradicionais. O kazoo tem uma entrada de ar, uma caixa de ressonância e uma pequena abertura coberta por uma película que vibra e amplifica as ondas sonoras da voz humana, podendo ter muitas afinações de acordo com o som emitido pelas cordas vocais.

Kazoo

O instrumento também é chamado de cana, pio e silvo. Apito também é o nome dado ao som emitido por ele.