sexta-feira, 24 de junho de 2011

O Clube dos 27

Um clube no qual ninguém quer entrar, pelo menos ninguém gozando de perfeito juízo, o famigerado Clube dos 27.

Pra quem ainda não ouviu falar dele vou dizer os três nomes mais famosos que entraram nele, também chamados de OS TRÊS JOTAS DO CLUBE DOS 27, Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison. Eles têm algumas coisas em comum, alcançaram um grande sucesso no mundo da música, tinham a letra “J” como inicial do nome e morreram com 27 anos de idade, mas eles não são os únicos sócios do clube, outros nomes famosos estão nesta lista, antes deles outros três famosos que por coincidência também tinham o “J” no nome morreram com 27 anos, Robert Johnson, o nome mais cheio de lendas do blues (publiquei sobre ele aqui - Tocava que nem um demônio), Johny Kidd que foi um dos primeiros famosos do rock inglês, Brian Jones o guitarrista dos Rolling Stones e um outro sem o “J”, Alan Wilson, do Canned Heat.

Depois destes vieram (ou se foram) outros como Ron "Pigpen" McKernan, tecladista do Grateful Dead, Kurt Cobain, nem preciso apresentar este, e poucos dias depois dele a baixista Kristen Pfaff das bandas Janitor Joe e Hole foi encontrada morta em um local que estava do mesmo jeito que o da morte de Kurt, reparem que Hole era a banda de Courtney Love a mulher de Kurt Cobain. A irmã de Kurt afirma que ele dizia querer entrar para o clube dos 27 (mas este não parecia estar gozando de perfeito juízo). Mais recentemente a cantora inglesa Amy Winehouse também associou-se ao clube. Há mais nomes, mas estes são os mais famosos, tem uma lista mais detalhada dos sócios do clube abaixo sendo que o primeiro é um brasileiro.

Vamos às teorias.

Em relação aos três “J” do clube existe uma teoria da conspiração que especula que por serem famosos, tendo muita influência sobre a juventude de sua época e estarem ligados aos movimentos de direitos humanos e contra a guerra, teriam sido eliminados pelo governo norte americano, esta teoria ganhou força logo após a morte de Jim Morrison (leia sobre a lenda de que ele não morreu > AQUI <), pois ele teria dito que seria o terceiro a ser eliminado pelo governo, ninguém deu muita bola pra isso mas depois da coincidência surgiu essa teoria.

Outros juram de pés juntos (sem trocadilhos com os finados) que quem entra para o mundo do rock só consegue chegar ao topo fazendo trato com o Coisa Ruim e ele costuma cobrar a parte dele quando acaba a juventude, aos 27 anos de idade.

Também existe a explicação numerológica. A soma dos dois números de 27 é 9, o número completo, pleno. A cada 9 anos a pessoa passa por uma transformação na vida, aos 9 anos termina a infância, aos 18 termina a adolescência e aos 27 se completa o primeiro ciclo de 3 transformações com o final da juventude, o número 3 está ligado à divindade, aí as pessoas com vidas desregradas correm um grande risco neste grande período de transformação e a maior transformação possível é... virar antônimo de vivo, vestir o terno de madeira, comer capim pela raiz, passar pra uma melhor, enfim, falecer.

Agora sejamos sinceros, se juntarmos os milhares de famosos e fizermos um levantamento estatístico de suas mortes vamos achar coincidências em todas as idades, com todos os números possíveis, todos tipos de envolvimentos políticos, religiosos, criminosos e sexuais, sei lá, só sei que é bom não ser famoso, não ter 27, estar bem vivo e poder listar os honoráveis sócios do CLUBE DOS 27.



  • Alexandre Levy (compositor, regente e pianista erudito), morreu em sua casa em São Paulo por CAUSAS DESCONHECIDAS em 1892;
  • Louis Chauvin (compositor de ragtime), ESCLEROSE MÚLTIPLA em 1908;
  • Robert Johnson (cantor e guitarrista de blues), CAUSA NÃO COMPROVADA em 1938;
  • Nat Jaffe (pianista de jazz), PRESSÃO ALTA em 1945;
  • Jesse Belvin (cantor de rhythm and blues), ACIDENTE DE CARRO com especulações de sabotagem mecânica em 1960;
  • Rudy Lewis (vocalista da banda The Drifters), OVERDOSE em 1964;
  • Malcolm Hale (guitarrista da banda Spanky and Our Gang), INTOXICAÇÃO POR MONÓXIDO DE CARBONO em 1968;
  • Johnny Kidd (vocalista do Johnny Kidd & The Pirates), ACIDENTE DE CARRO em 1966;
  • Dickie Pride (cantor de rock), OVERDOSE DE PÍLULAS PARA DORMIR em 1969;
  • Brian Jones (guitarrista dos Rolling Stones), AFOGAMENTO em 1969;
  • Alan Wilson (vocalista dos Canned Heat), OVEVERDOSE POR BARBITÚRICOS, possível suicídio, em 1970;
  • Jimi Hendrix (guitarrista) ENGASGADO COM O PRÓPRIO VÔMITO em 1970;
  • Janis Joplin (cantora de soul), OVERDOSE em 1970;
  • Arlester "Dyke" Christian (vocalista da banda Dyke & the Blazers), TIRO DE ARMA DE FOGO em 1971;
  • Jim Morrison (vocalista do The Doors) CAUSA NÃO COMPROVADA em 1971;
  • Linda Jones (cantora de soul), DIABETES em 1972;
  • Brian Cole (baixista do Associations), OVERDOSE em 1972;
  • Leslie Harvey (guitarrista do Stone the Crows), ELETROCUTADO no palco ao tocar no fio do microfone com as mãos molhadas em 1972;
  • Ron "Pigpen" McKernan (tecladista do Grateful Dead), COMPLICAÇÕES ESTOMACAIS por causa do alcoolismo em 1973;
  • Evaldo Braga (cantor de black music brasileiro), ACIDENTE DE TRÂNSITO em 1973;
  • Gram Parsons (ex-The Byrds), OVERDOSE DE TEQUILA E MORFINA em 1973;
  • Roger Lee Durham (vocalista do Bloodstone), QUEDA DE UM CAVALO em 1973;
  • Wallace Yohn (tecladista da banda Chase), ACIDENTE DE AVIÃO em 1974;
  • Dave Alexander (baixista dos Stooges), EDEMA PULMONAR em 1975;
  • Pete Ham (do Badfinger), SUICÍDIO POR ENFORCAMENTO em 1975;
  • Gary Thain (ex-Uriah Heep), OVERDOSE DE HEROÍNA em 1975;
  • Cecilia (cantora pop espanhola), ACIDENTE DE CARRO em 1976;
  • Helmut Köllen (baixista da banda Triumvirat), morreu dentro do próprio carro, ASFIXIADO PELO MONÓXIDO DE CARBONO do motor enquanto ouvia as gravações de sua futura carreira solo em 1977;
  • Chris Bell (guitarrista do Big Star), ACIDENTE DE CARRO em 1978;
  • Jacob Miller (vocalista da banda Inner Circle), ACIDENTE DE CARRO em 1980;
  • D. Boon (vocalista da banda Minutemen), o ACIDENTE DE TRÂNSITO pôs fim à banda em 1985;
  • Alexander Bashlachev (roqueiro russo), QUEDA DO NONO ANDAR de um prédio, suicídio não confirmado em 1988;
  • Jean-Michel Basquiat (músico e artista plástico), OVERDOSE DE SPEEDBALL (coquetel de drogas) em 1988;
  • André Frederik Pretorius (guitarrista sul-africano, participou da fundação do Aborto Elétrico em Brasília), OVERDOSE DE HEROÍNA em 1988;
  • Pete De Freitas (baterista do Echo & the Bunnymen), ACIDENTE DE MOTO em 1989;
  • Mia Zapata (vocalista do The Gits), ASSASSINADA em 1993;
  • Kurt Cobain (vocalista e guitarrista do Nirvana), SUICÍDIO COM ARMA DE FOGO em 1994;
  • Kristen Pfaff (baixista das bandas Janitor Joe e Hole), OVERDOSE DE HEROÍNA em 1994;
  • Richey James Edwards (guitarrista do Manic Street Preachers), DESAPARECIDO em 1995 (a morte nunca foi confirmada) mas considerado oficialmente morto em 2008;
  • Stretch (rapper), ASSASSINADO com um tiro em 1995;
  • Fat Pat (rapper), ASSASSINADO com um tiro em 1998;
  • Freaky Tah (rapper), ASSASSINADO com um tiro em 1999;
  • Rodrigo Bueno (músico argentino), ACIDENTE DE CARRO em 2000;
  • Sean Patrick McCabe (vocalista da banda Ink & Dagger), ASFIXIA em 2000;
  • Maria Serrano Serrano (integrante da banda Passion Fruit), ACIDENTE DE AVIÃO em 2001;
  • Jeremy Michael Ward (técnico de som), OVERDOSE DE HEROÍNA em 2003;
  • Bryan Ottoson (guitarrista da banda American Head Charge), OVERDOSE em 2005;
  • Valentín Elizalde (músico folclórico mexicano), ASSASSINADO em 2006;
  • Orish Grinstead (cantora do grupo 702), FALÊNCIA RENAL em 2008;
  • Lily Tembo (musicista zambiana), GASTRITE em 2009;
  • Johnny Ganza (rapper português), DIABETES em 2011;
  • Amy Winehouse (cantora de soul music), CONSUMO ABUSIVO DE ÁLCOOL em 2011;
  • Richard Turner (trompetista), ATAQUE CARDÍACO em 2011;
  • Thomas Fakete (guitarrista do Surfer Blood), CÂNCER em 2016;
  • Anthon Yelchin (guitarrista do Hammerheads), ACIDENTE DE CARRO em 2016;
  • Jonghyun (cantor sul-coreano do grupo SHINee), SUICÍDIO em 2017;
  • Fredo Santana (rapper norte-americano), ataque cardíaco em 2018.


Todos tiveram mortes repentinas, mas com 27 anos fica difícil morrer dormindo por velhice né? Desejo a todos uma vida longa e próspera.

terça-feira, 26 de abril de 2011

STAIRWAY TO HEAVEN

“É PROIBIDO TOCAR STAIRWAY TO HEAVEN”

No filme Quanto mais idiota melhor (Wayne’s world, 1992) aparece esta frase escrita em um cartaz na parede de uma loja de instrumentos musicais, algo que todo vendedor de guitarras gostaria de dizer na hora de testar o som do instrumento na loja, pois aquela introdução gruda na mente e todo guitarrista iniciante quer tocá-la. Isto dá uma idéia da importância dessa música na história do rock, mas parece que ainda maior que a obra de arte musical são os mistérios que rondam Stairway to heaven.

Primeiramente. Seria aquela introdução um plágio?

Parece que sim, embora eu só possa dizer – ALELUIA! A banda americana Spirit, compôs uma pequena música instrumental chamada Taurus em 1968 (Stairway to heaven é de 1971) e a semelhança entre as duas é grande demais para ser coincidência, além do mais as duas bandas não só se conheciam como chegaram a tocar juntas, mas Taurus só tem de bom a idéia musical enquanto Stairway to heaven é uma das melhores músicas do rock, só temos a agradecer à Jimmy Page por ter tirado aquelas primeiras notas da obscuridade em que ficariam para sempre.

Aqui uma edição comparando as duas músicas:




Outro mistério. O que significa a letra desta música? As teorias são muitas e todas parecem se encaixar com a história da Dama que está comprando uma escada para o céu.

Uma delas diz que a Dama é uma das facetas da alma humana em busca da realização espiritual e a letra aponta o caminho esotérico em linguagem simbólica (ouro, palavra, árvore, pássaro, oeste, anéis de fumaça, Rainha de Maio, estrada, vento, luz...) para os iniciados e que Jimmy Page e Robert Plant seriam seguidores do bruxo Aleister Crowley de onde viria a inspiração para os versos.

Outra teoria segue um caminho parecido porém mais ligado às novas religiões telúricas e diz que a Dama é a deusa criadora que abre o caminho e guia o ser humano, que é nada mais que parte da natureza que é representada nos elementos citados nos versos.

Outra teoria traz a Igreja Católica no papel da Dama que acredita ter o poder sobre as coisas divinas embora ela mesma não tenha certeza disso, mas há outros caminhos que podem ser seguidos e são representados pelo pássaro, pelo flautista e pela Rainha de Maio e termina convocando a unificação de todas as religiões.

Há ainda uma corrente extremista de cristãos que dizem que a música é uma forma de adoração a Lúcifer, o anjo caído, que Deus criou iluminado, belo e musical mas que renegou o criador e usa essas características para seduzir as pessoas. Lúcifer seria ambíguo e andrógeno, a Dama e o Flautista representariam essa dualidade, seriam a deusa primordial emanando luz e seu consorte correndo, rindo e tocando sua flauta pela floresta.

A teoria mais comum e óbvia é que Page e Plant estavam muito doidões e que a música foi saindo naturalmente daquela maneira fantasiosa sem que o todo fizesse sentido, proporcionando muitas formas de interpretação, versão que Plant deu a entender quando perguntado sobre o significado da música:

– “Bem, nós estávamos chapados. Quem pode saber?”.

Capa do álbum Led Zeppelin IV
E por último um assunto clássico do rock, as mensagens ocultas e que só podem ser ouvidas com a música executada ao contrário, onde Stairway to heaven entra de sola na jogada. As mensagens atribuídas à música estão em vários trechos:

No trecho “There's still time...” haveria ao inverso a mensagem “oh it's my sweet Satan” (oh, é o meu doce Satã);

No trecho “Your stairway lies on the whispering Wind” haveria a mensagem “I will sing because I live with Satan” (eu vou cantar porquê vivo com Satã);

No trecho “Yes there are two paths you can go by but in the long run” haveria “the one will be the path would make me sad whose power is Satan” (único será o caminho que me deixará triste, cujo poder é Satã);

No trecho “she wants to be sure” haveria “I wish it would snow!” (eu gostaria que nevasse), uma mensagem direta dos que estão no fogo do inferno – EU TENHO MEDO;

No trecho “and if you listen very hard” haveria “they're still weeping, man” (eles ainda estão chorando, cara);

No trecho “the piper's calling you” haveria “the Lord turns me off” (o Senhor me afasta);

E no trecho “it's just a spring” ouvido ao inverso, surgiria a mensagem “six six six” (666, o número da besta no livro do Apocalipse).

Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça. Dá pra ouvir no site Whiplash esses trechos, segue o >link<. Para os que não acreditam nessas coisas é bom lembrar que na própria música é dito “sometimes words have two meanings” (as vezes as palavras têm dois significados) e para os que acreditam eu saliento “sometimes...” (as vezes).

Voltando ao início da conversa, É PROIBIDO TOCAR STAIRWAY TO HEAVEN, não só nas lojas de guitarras mas também nos shows do Led Zeppelin. A canção é tão executada em rodas de violão e rádios do mundo todo que nem mesmo os autores aguentaram e depois de um tempo pararam de tocá-la nos shows.

“As pessoas perguntam como foi escrever Stairway to heavencomo se os três Reis Magos tivessem batido na porta e perguntado
‘com licença, vocês estão escrevendo Stairway to heaven’?”
(John Paul Jones, 1990)

“Eu não consigo mais nem dizer estas três palavras.”
(Robert Plant, sobre Stairway to heaven)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

TOCAVA QUE NEM UM DEMÔNIO

Robert Johnson


Talvez o nome mais misterioso entre os mestres do blues. Viveu apenas 27 anos, não se sabe exatamente quando nasceu e como adquiriu tanto talento em tão pouco tempo, gravou apenas 29 músicas em 2 anos (1936 – 1937), foram 41 faixas mas 13 foram gravadas duas vezes, é difícil de entender como as gravações ficaram boas com um violão Kokomo bem barato e de caixa pequena, não se sabe o que realmente o matou e mesmo depois de morto conseguiu a façanha de vender 500.000 cópias de suas gravações relançadas em 1990 (disco de ouro) e ainda ganhar um Grammy, mas o maior mistério é sobre a lenda de seu encontro com o Diabo em uma encruzilhada, onde teria vendido a alma em troca de ser o maior dos bluesmen.

É possível tentar entender alguns destes mistérios. Robert era filho de Julia Dodds casada com seu padrasto Charles Dodds, mas seu verdadeiro pai era Noah Johnson, este sobrenome ele assumiu depois, nasceu no Mississippi em 1911 ou 1910, a data precisa é desconhecida, e trabalhou no campo até os 16 anos, quando resolveu seguir carreira artística tocando gaita e violão em qualquer lugar, principalmente na rua, mas em vida não conseguiu nenhum sucesso comercial.
Johnson começou a aprender guitarra com seu irmão mais velho Charles, e ter perambulado por muitos lugares e ter ouvido e conversado com muitos artistas em sua região, deve ter sido o aprimoramento de seu conhecimento musical. Foi influenciado por Charley Patton, Son House e Willie Brown de onde vieram seus slides, escutou os primeiros pianistas de Boogie-Woogie e aprendeu a usar notas graves, com Lonnie Johnson aprendeu a estrutura musical e disto tudo, mais seu talento natural, ele criou o seu próprio blues. Alguns salientam que as fotos que existem de Johnson mostram que ele tinha mãos bem grandes e que isto lhe proporcionava fazer acrobacias no braço da guitarra que são muito difíceis para outras pessoas com mãos normais.

As suas 41 faixas foram gravadas em 3 lugares diferentes: uma sessão de gravação em San Antonio, Texas, em Novembro de 1936, em um quarto de hotel durante 3 dias ele gravou 16 músicas, entre elas as duas versões de Crossroads que foi composta a caminho do local; uma segunda sessão em Dallas, Texas, em Junho de 1937 em um depósito; e a gravação de uma música (Kind Hearted Woman) feita em uma rádio.

A lenda sobre seu talento ter vindo de uma troca com o Chifrudo surgiu por vários motivos e tem até local definido, a encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, Mississipi. 


Monumento em Clarksdale próximo a encruzilhada 61 com 49

Essa lenda foi difundida inicialmente por Son House e ganhou força devido a algumas de suas músicas – Crossroads Blues (Blues da encruzilhada), Hellhound On My Trail (Cão do inferno no meu encalso), Me And The Devil Blues (Blues de mim e o Diabo) – além de ter surgido do nada tocando daquela maneira diferente e levar uma vida desregrada. Son House havia encontrado Johnson em 1931 e depois somente em 1933 quando ficou surpreso com o seu talento – o que indica que ele teria se tornado um mestre em apenas 2 anos – ajudando a difundir seu talento entre os bluesmen da região, onde se tornou respeitado como músico e chamado ainda em vida de The King of the Delta Blues Singers.

Sobre a sua morte existem várias teorias. Teria morrido de sífilis, ou por tiro de arma de fogo, ou por facada, ou envenenado. O fato é que tudo ocorreu em 1938 durante uma apresentação no bar Tree Forks em Grewwood, Mississippi. Johnson bebeu whisky, passou mal e morreu 3 dias depois em 16/08/1938 na mesma cidade, no atestado de óbito aparecia apenas No Doctor (Sem Médico) como causa da morte. O whisky estaria envenenado com estricnina, supostamente preparado pelo dono do bar, o qual estava enciumado por Jonhson ter flertado com sua mulher, Sonny Boy Williamson que estava tocando junto com Jonhson, o havia alertado sobre o whisky, porém este não lhe deu atenção. Não existe prova de nada disto o que aumenta a especulação de que o Cramulhão tenha simplesmente cobrado a alma prometida depois de cumprido o combinado.

Ele continua influenciando e sendo lembrado por diversos artistas, como Muddy Watters, Eric Clapton, The Rolling Stones, Led Zeppelin, The Who, The Blues Brothers, Red Hot Chili Peppers, Yardbirds, Cream e The White Stripes entre tantos outros. Se ele está em cima ou em baixo? Não dá pra saber. O que aconteceu de verdade? Nunca saberemos. Vale a pena tentar um trato com o Cão? Sai fora, eu tenho medo! Só sei que dizem que ele tocava que nem um demônio.

O PAI DO ROCK

Quando escuto Chuck Berry logo me vem à memória tudo o que este cara representa para o rock n’ roll. Enquanto o Elvis é chamado de rei, Chuck Berry é chamado de Pai do Rock, justíssimo... ou nem tanto. Talvez se ele fosse branco Elvis tivesse que dividir o seu espaço exclusivo, conquistado com merecimento no coração de fãs e na memória de todos como uma celebridade inesquecível, todo mundo já ouviu falar em ELVIS PRESLEY, já o nome de Chuck Berry tem que ser explicado para quem não conhece o rock, mas esta conversa de “se isto ou se aquilo” não vem ao caso.

Ser o pai do rock significa que não importa ser o primeiro, o maior, o original, o melhor, etc., significa que sem ele o rock não seria como é ou teria demorado mais para ser como é, se diz que “não basta ser pai, tem que participar” e Chuck participou da criação do rock n’ roll mais que qualquer outro em sua época. Seus méritos são muitos, ele inventou o formato de banda de rock que é usado até hoje, fez o primeiro álbum misturando blues e country, fez o primeiro grande riff de guitarra (Johnny B. Goode), enquanto os músicos de sua época interpretavam as canções de outros ele compunha as próprias músicas e isto fez dele um dos mais gravados por outros artistas (Animals, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Rolling Stones, The Beatles...), fazia danças engraçadas enquanto tocava guitarra, enfim, coisas que hoje são corriqueiras e quase que obrigatórias no rock tem o DNA do Pai, e todos que olhavam para ele pensavam, este é o caminho.


Este ano (2010) eu pude ver pessoalmente um show do Chuck aqui em Porto Alegre, ele tinha vindo aqui nos dois anos anteriores e não pude ir, achei que tinha perdido a maior chance e dificilmente veria ao vivo o último grande mosntro do rock dos anos 50, mas desta vez não perdi, e lá estava ele, velhinho, magrinho, com uma jaqueta de lantejoulas azul e seu cap branco de marinheiro, tocando sua guitarra semi-acústica e fazendo piadinhas para o público, sem telões, sem fogos, sem lasers, nenhuma parafernália para desviar a atenção do que interessava, um artista autêntico que mesmo com 83 anos parece ter sweet little sixteen, uma emoção inesplicável.

Que viva mais 100 anos fazendo rock n’ roll Charles Edward Anderson Berry, meu chará.




segunda-feira, 12 de abril de 2010

UM GRANDE DIA NO HARLEN

Quem já viu o filme O Terminal, dirigido por Steven Spielberg, em que um estrangeiro interpretado por Tom Hanks fica preso em um aeroporto por problemas de documentação, não podendo entrar nos EUA e nem voltar para o seu país, a fictícia Krakozhia, que está em meio a uma revolução, deve lembrar que o objetivo do personagem era conseguir completar uma coleção de autógrafos de grandes nomes do jazz que aparecem em uma foto velha. A coleção foi iniciada por seu pai que durante muitos anos buscou cada um dos músicos que aparecem nesta foto, mas morreu antes de completar todos. Na tentativa de realizar o sonho do pai, Viktor Navorski vem do leste europeu para procurar o último músico que falta, Benny Golson.


Pois bem, a história e o personagem são fictícios, embora exista um caso parecido de um iraniano que ficou preso em um aeroporto na França, mas a tal foto é bem verdadeira, e para os fanáticos por jazz ela é um objeto de veneração, pois nela estão reunidos 57 grandes nomes do estilo em um único click. O grande feito foi do fotógrafo Art Kane em uma rua do Harlen no ano de 1958 e é conhecida como “Um grande dia no Harlen”. Ali estão, entre outros, Benny Golson, Charles Mingus, Sonny Rollins, Thelonius Monk, Gerry Mulligan e sentado na calçada ao lado das crianças, o grande Count Basie. Aí está a foto, dá um belo poster e uma ótima história pra contar ouvindo jazz.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

BACK IN BLACK

Se tem uma banda da qual se pode dizer que é venerada por muuuuita gente mesmo, ela é o AC/DC, e se é que existe um álbum que se aproxima muuuuuito da perfeição, ele é o Back in Black.

O AC/DC já era uma das bandas australianas mais famosas no mundo, mas quando o vocalista Bon Scott morreu (mais um afogado em vômito), a banda tinha um projeto de álbum que teve que ser refeito. Daí entrou nos vocais Brian Johnson que, segundo Malcolm Young (guitarra do AC/DC), teria recebido elogios do próprio Bon Scott (ainda vivo, é claro) em um show da banda antiga de Brian que foram ver, o Geordie. Brian entrou na banda em 1980, deu conta do recado, ajudou a compor as músicas junto com os irmãos Young, entraram uns hits antigos e o AC/DC gravou talvez o maior álbum de rock de todos os tempos, com os riffs emblemáticos criados por Angus e uma harmonia pura e sem frescuras, como deve ser o bom e velho rock n' roll.

O resultado foi a venda de mais de 43 milhões de cópias e uma afirmação mundial do AC/DC, eu sou fã e tenho com orgulho o meu Back in Black em casa.

No vídeo, Back in Black.



sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O PAI DO BLUES? E O PRIMEIRO ROCKEIRO?

Pow, me disseram que William Christopher Handy (W C Handy) o pai do blues, fazia jazz.

Bem eu até concordo, ninguém chega do nada e inventa uma coisa completamente diferente que todo mundo começa a copiar. Quem acredita nisso é muito ingênuo, não conheço nenhum estilo musical que tenha um "inventor" unânime, as coisas evoluem, assim como o primeiro rock and roll não apareceu sozinho na obra de Bill Haley & his Comets (aí do lado), que na boa, faziam country music.

Bill Haley fez o primeiro rock, eu acredito nisso.

One, two, three o'clock, four o'clock rock,
Five, six, seven o'clock, eight o'clock rock.
Nine, ten, eleven o'clock, twelve o'clock rock,
We're gonna rock around the clock tonight.
Put your glad rags on and join me hon',
We'll have some fun when the clock strikes one.
We're gonna rock around the clock tonight,
We're gonna rock, rock, rock, 'till broad daylight,
We're gonna rock we're gonna rock around the clock tonight...




N
ão tem quem não tenha ouvido uma vez na vida essa música, bem, talvez algum coitado que não saiba o que é música, mas sempre se pode evoluir, não é?

Eu acredito que W. C. Handy mereça o título de pai do blues, assim como Bill Haley seja considerado o criador do primeiro rock and roll e que o Black Sabbath tenha composto o primeiro hiff de trash metal da história do rock, mas isso é um assunto pra outra hora, e tenho dito!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A LUCILLE DE BB KING

Outra lenda do blues é sobre o nome da guitarra do rei, o rei do blues é claro, B.B. King (os "Bs" são de Blues Boy) chama suas guitarras de Lucille, inclusive existe um modelo signature da guibson, a B.B. King Lucille, uma semi-acústica feita sob medida pra ele.

Bem, ele mesmo contou essa história. Nos anos 50 ele teria tocado em um bar de madeira no inverno, e pra esquentar o ambiente botaram fogo dentro de uma lata. Dois caras começaram a sair na porrada e a lata estava no caminho, espalharam o fogo pela madeira e o bar imediatamente virou um consulado do inferno. Na correria, BB esqueceu da guitarra, mas quando se deu conta da perda valiosa, voltou para buscá-la e conseguiu sair por pouco (teria morrido gente nessa história). Depois ele descobriu que os caras estavam brigando por uma mulher, chamada Lucille, daí ele colocou este nome em sua guitarra pra jamais esquecer de nunca mais fazer uma coisa como essa de novo.

Quem quiser ouvir da boca do próprio, aí está, em inglês, mas o texto é fiel ao depoimento:




quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O BLUES


Adoro o blues, o verdadeiro blues, aquele dos negros do sul dos EUA e dos que vieram depois, os seguidores das mais variadas cores e origens.

O blues é cheio de histórias e lendas, muito mais que qualquer outro gênero musical, afinal os escravos não podiam cantar o que sentiam, então eles cantavam da maneira como se sentiam, as letras escondiam mensagens e as melodias eram tristes como a vida deles, daí o nome blues, melancólico.


Dizem as lendas que W. C. Handy foi o primeiro a gravar um blues (St. Louis Blues), talvez, mas é claro que muito antes dele os negros escravos já tinham seus muitos blues compostos para serem ouvidos por uma pequena platéia que conseguia entender melhor que ninguém o que aquilo significava.


Escute St. Louis Blues neste vídeo, é uma gravação bem velha, como era de se esperar, com uma banda de ragtime, só instrumental, mas eu adoro ouvir essas raridades.



terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Início

Eu estava ouvindo minhas músicas favoritas hoje e pensei em criar um blog pra falar e ouvir sobre elas e outras músicas que possam trazer algo de bom pra mim e pra quem estiver navegando por aqui.
Bem, o blog acabou de iniciar, não sei no que vai dar mas taí e vamos ver se algo de bom surge dele.